Visualizações

31 de jul de 2013

Capítulo Vinte e Cinco!

-Ei, eu acordei e você não estava lá...- ele disse disse confuso- Aí depois eu fui te procurar e não te achei em lugar nenhum- Joe se aproximou da menina assim que ela jogou a bolsa no sofá.
-Desculpa, não fazia parte dos meus planos voltar depois que você já estivesse acordado- ela deu de ombros mostrando indiferença, mesmo que por dentro seus sentimentos se revirassem, alternando-se em um ciclo que ia de nervosismo a medo.
-Onde você foi?- perguntou curioso, segurando-a pela cintura.
-Eu...- mais nenhuma palavra saiu de sua boca, que permaneceu aberta soltando a respiração ansiosa. Seus olhos fixaram-se em um ponto qualquer direcionado aos lábios vermelhos de Joe e ao perceber o quão concentrada ela estava, ele segurou uma de suas mãos e a levou até o canto de sua boca. Demi contornou-a sem pressa alguma e se prendia a cada mínimo detalhe do desenho perfeito e tentador. Suas unhas riscavam muito brevemente o lugar onde ela estava louca para beijar e ela já era capaz de sentir o calor subindo dentro de si.
Mordeu o lábio inferior e deixou que sua mão caísse sobre o peito dele. Segurou sua camisa com força e depois de desviar o olhar com cautela e hesitação, tocou a lateral do corpo de Joe, trazendo-o para mais perto. O menino juntou seu corpo com o dela na porta e apoiou seus antebraços na madeira, de modo que a cabeça de Demi ficasse presa entre eles, dando a ela assim somente a opção de encarar Joe. Seus olhos se encontraram e o que ambos transmitiam foi ignorado como se não tivesse importância. Porque nos olhares havia algo diferente e ao mesmo tempo errado.
Joe iniciou um beijo delicado e tentador. Não demorou para que ficasse mais intenso, nem para que a exploração começasse. Joe pressionou seus dedos contra a nuca de Demi fazendo-a soltar o ar de forma descompensada. Brincou com seus lábios de forma sedutora e conquistadora, mas ao mesmo tempo, possessiva. Com uma de suas mãos, ele colocou o cabelo da menina para o lado, liberando o espaço que queria para iniciar sua trajetória de beijos. Abrindo o zíper do macacão tomara que caia que ela usava, Joe mordiscou sua orelha em diversos pontos que faziam a menina suspirar. A cada novo toque ele descobria como chegar mais perto do ponto fraco dela ou como atingi-lo de forma determinante.
Demi enterrou sua cabeça no peito dele e direcionou suas mãos para a calça que ele vestia. Como não tinha fecho algum, ela apenas deslizou com muita paciência seus dedos por dentro do elástico, sentindo a box que ele vestia roçar em seus dedos. Joe soltou um breve gemido e puxou-a para perto depois de arrancar ele mesmo a sua camisa. Ainda concentrada na calça, Demi a tirou com facilidade. Sua calma já estava deixando Joe cada vez mais enlouquecido e entorpecido de desejo.
E ele não fez diferente. Deixou que o macacão caísse sobre os pés da garota e contemplou seu corpo, que estava pronto, apenas esperando por ele para que o tocasse de muitas maneiras possíveis. E assim ele o fez.
Segurando-a pelas pernas, Joe ergue-a até que ela estivesse presa à sua cintura. Caminhou com Demi até o sofá e a deitou sem desgrudar dela por nem um segundo. Suas pernas permaneceram envolvidas na cintura de Joe quando ele tirou seu sutiã e levou uma se suas mãos até os seios da menina. Deslizou suas mãos por todo aquele corpo observando-a enquanto a mesma fechava os olhos. Sua expressão não era nem de perto a que Joe conhecia e isso o incomodava um pouco. Parecia que por mais que tudo aquilo estivesse acontecendo, nenhum dos dois estava realmente ciente.
Mas depois de alguns minutos apenas com beijos delicados espalhados por todo o corpo, Demi mudou de comportamento. Se antes ela estava perdida em algum outro lugar ou pensamento, agora suas atenções estavam completamente voltadas para o momento. Para Joe e o corpo dele que agora ela cobria com o seu.
Puxou-o com as pernas e jogou seus braços ao redor do pescoço dele. O beijo dessa vez parecia desesperado, um pouco apavorado talvez. Como se fosse de tremenda necessidade.
Joe permaneceu com seu corpo colado ao dela até que precisou se afastar um pouco quando sentiu a mão pequena e determinada de Demi em sua box. Aproveitou para tirar uma camisinha de dentro da carteira que por sorte estava sobre a mesa da sala.
Demi estava completamente nua na sua frente, mas a visão que ela tinha dele não era nada diferente. Sem nenhum receio ou hesitação, ambos fizeram questão de deixar sua marca em cada pedacinho de pele exposta. Cada centímetro do corpo de Joe conhecia Demi e vice-versa.
****
-A gente precisa conversar- ela suspirou, soltando a mão do menino que estava entrelaçada a sua.
Desde que caíram juntos no sofá, com os corpos explodindo de prazer e satisfação, nenhuma palavra havia sido trocada. Alguns carinhos foram feitos até que eles resolveram se vestir. Como de costume, ela colocou a blusa do menino e depois que assim fizeram, sentaram-se juntos. Joe aproximou seus lábios do pescoço de Demi e juntou sua mão com a dela. Foi aí que, depois algum tempo respirando fundo, ela os separou.
-Podia começar dizendo para onde foi- ele sussurrou com a voz firme, porém baixa.
-Eu vou te dizer onde fui- ela afirmou com os olhos fixos no chão- Eu fui procurar algum lugar para morar- disse com a voz embargada pelo choro que queria vir. Xingou a si mesma mentalmente por deixar tal fraqueza transparecer, ela havia jurado a si mesma que permaneceria firme com sua decisão diante de qualquer coisa. Porém não havia levado em conta que falar pessoalmente com ele, olhando em seus olhos e sentindo-o se opor a isso seria bem diferente do que ela passara a noite e a manhã moldando em sua cabeça.
-Como assim, Demi?- ele perguntou se afastando ainda mais da menina. Seus olhos estavam mais escuros do que o normal e ele havia franzido o cenho em sinal de confusão.
-Eu quero terminar. Eu não quero mais continuar com isso- ela disse, claramente decidida. Se Joe não estivesse muito confuso com aquilo tudo, provavelmente teria acreditado na seriedade que ela usava- Eu não consigo, na verdade- ela concertou seu argumento. Mentiria se dissesse que não queria- E dessa vez você não vai mudar a minha decisão.
-Você quer terminar?!- perguntou com um tom de voz indecifrável- Por que? Por causa disso tudo que aconteceu durante esses três dias, Demi?- sua voz agora tinha um pouco de... raiva. A menina assentiu e ele respirou fundo, levando uma das mãos ao cabelo antes de jogar a cabeça para trás- Agora que finalmente acabou você quer complicar de novo? Não foi suficiente?
-Não acabou pra mim, Joe- ela disse serena- Antes eu tivesse terminado com você na primeira vez que eu tentei. Pouparia a nós dois de muita coisa que aconteceu.
-Você pode me dizer no que?- pediu- Porque na minha opinião não mudaria em nada. Toda a besteira que causou esse problema foi feita muito antes da gente pensar em namorar. Eu ainda não aceitaria ficar com a Caty do mesmo jeito que a gente ainda contaria a ela sobre o que aconteceu. No que nos pouparia, Demi?
-Eu não consigo mais olhar pra você e pensar que nós podemos dar certo. Não tá mais funcionando, Joe! Você não vê como tudo o que aconteceu abalou a gente? Você e eu tentamos fazer tudo o que a gente pôde pra não abrir mão do namoro mas no final a gente estava só adiando.
-Demi, eu juro que não consigo ver as coisas como você. O que aconteceu? Foi por causa da Caty? Da briga de vocês? Terminar comigo não vai mudar em nada!
-Vai diminuir a culpa que eu tenho dentro de mim- ela sussurrou.
-E é justo você me usar, usar o nosso namoro pra diminuir a culpa que você sente?- questionou- Você não pensa no que isso vai me custar? Em como eu vou me sentir?
-Não vai ser nada diferente do que eu vou sentir, eu garanto- deu de ombros.
-Se te machuca tanto assim como me machuca, porque você tá fazendo isso?
-Porque eu preciso encarar a realidade e colocar um ponto final em todas essas besteiras que eu tô fazendo! Não importa se não vai mudar em nada a minha relação com a Caty, isso é o que eu sinto que preciso fazer. É o único jeito de colocar um ponto final numa história que não deveria ter começado.
-Eu te amo, Demi- ele disse nervoso- Você não percebe isso? Ou simplesmente não se importa mais?
-Eu também te amo, Joe- ela disse com a maior sinceridade que pôde- Eu te amo do fundo do meu coração, como eu nunca amei ninguém. Eu não tomei essa decisão de uma hora pra outra, não é algo que vai me fazer feliz agora ou que não vai me machucar. Só... o meu coração já está completamente quebrado, eu não sei se vai fazer muita diferença.
-O que eu sinto por você não faz diferença pro seu coração?
-É até capaz de concertá-lo- ela abriu um pequeno sorriso- Mas eu não quero que faça isso. Eu não quero que continue quebrando corações para concertar o meu.
-Isso é ridículo! É como se você estivesse simplesmente jogando fora tudo que já aconteceu, todos os momentos- disse- Os últimos três dias podem não ter sido os melhores mas estávamos juntos. Não era isso que tinha importância?
-Você mudou a minha vida e me defendeu até quando não pode- ela deixou uma lágrima escapar- Mas eu enxerguei que eu não sou o melhor pra você. Eu não consigo mais aguentar esse peso no meu coração de que eu traí a Caty e de que tudo isso foi culpa do meu coração, porque ele se apaixonou por você.
-Eu já te disse que terminar nosso namoro não resolve isso, Demi!
-Eu mesma pisoteei meu coração tomando essa decisão. E mesmo que ele ainda te ame e pertença a você, eu preciso encontrar um jeito de livrá-lo disso. Eu tive que admitir pra mim mesma o que estava na minha cara há muito tempo. Enquanto eu estiver com você eu não vou conseguir me libertar disso. Eu não vou conseguir me perdoar pelo que eu fiz. Me perdoar por ter magoado a minha melhor amiga.
-Quer se livrar de mim pra conseguir perdoar a si mesma? Isso é egoísta demais.
-Não é egoísta, eu só estou tentando arrumar um jeito de tirar essa dor de mim, Joe! Eu achava que você seria o único capaz disso e eu não tenho certeza de nada, mas desse jeito não dá pra continuar. Eu não vou conseguir ser verdadeira com você, não vou conseguir ser feliz enquanto eu carregar isso comigo.
-Eu achei que eu te fizesse feliz, que eu fosse o motivo da sua felicidade, assim como você é o motivo da minha.
-Eu nunca disse que não era, não começa a colocar palavras na minha boca porque eu nunca iria ter a coragem de dizer que esses momentos não foram os melhores da minha vida, porque foram. Eu te amo com todo o meu coração, por isso eu acho melhor acabar por aqui.
-E o que acabou de acontecer agora pouco?- ele aumentou um pouco o tom de voz, não porque quisesse brigar, mas sim porque o nervosismo e desespero já estavam tomando conta de todo o seu corpo. Ele a observou sem obter resposta alguma. A menina fechou os olhos com força e reteve o choro novamente- Porque você deixou acontecer se sabia que ia acabar? Se você tinha isso tudo em mente?
-Porque eu precisava de você por uma última vez- disse com um sussurrou, deixando as lágrimas caírem.

Joe respirou fundo e fechou os olhos, já sentindo-os marejados. Subiu até o quarto e se deitou na cama. Se era isso o que ela queria, assim seria. Ele já havia superado diversos términos e brigas, mas nunca achou que seu coração ficaria tão apertado ao ouvir alguém dizer “acabou”. Talvez porque ele nunca tivesse amado tanto alguém como ele amava Demi.
Continua...

Respostas dos comentários:

Gente... espero que por mais que o capítulo tenha sido um pouco tenso e bem triste, vocês tenham gostado :) 
Comentem bastante, ok?! Quero a opinião de vocês :)
Obrigada por tudo! Amo vocês <3
Beijinhos,
Brubs <3

29 de jul de 2013

Capítulo Vinte e Quatro!

Caty abriu os olhos, ainda sonolenta, e olhou na direção do barulho. Demi virou-se para a amiga e sorriu em sua direção. Disse que iria apenas dar uma volta e que logo estaria de volta, depois pegou uma fruta na cozinha, seu celular e dinheiro para comer alguma coisa. Deixou o apartamento na esperança de deixar Joe conversar com Caty a sós. Ela sabia que ambos precisavam desse momento e não queria atrapalhar. Não tinha ideia de para onde ia, talvez fosse apenas sentar em um banco e esperar a hora passar.
-Bom dia- Joe disse quando desceu a escada e viu Caty sentada na bancada, tomando seu café- Por que acordou tão cedo? Você nunca acorda cedo- ele sorriu e ela fez o mesmo.
-Primeiro você- ela disse quando o menino bocejou.
Joe se aproximou e lhe deu um abraço. Queria que ficasse bem claro para ela que estava tudo bem entre eles, sem que precisassem de outra conversa para isso. A última conversa não terminara muito bem, então era melhor tentar evitar outros constrangimentos.
-Preciso levar a Milla para passear- deu de ombros- Ela me acordou e eu acho que isso significa alguma coisa.
-Podia ter pedido pra Demi levar- disse.
-Onde ta a Demi?- ele questionou realmente curioso. Lembrava-se agora de que adormecera no colo dela mas não tivera o mesmo prazer ao acordar.
-Sei lá, ela que me acordou- Caty murmurou- Deu alguma coisa na menina e ela resolveu andar a essa hora da manhã- apontou indignada para o relógio na parede.
-É, ela podia ter levado a Milla- deu de ombros enquanto escondia a preocupação. Ela não sairia assim sem um motivo. Mas não iria procura-la. Se ela quisesse a companhia dele, teria o chamado.
-Joe- ela chamou um pouco apreensiva. Pelo tom de voz, ele já sabia do que se tratava.
-Hum?!- o menino murmurou concentrado no copo térmico de café que preparava.
-Eu queria pedir desculpas pelo que eu te pedi ontem- ela disse- Eu não queria que ficasse irritado comigo.
-Não fiquei irritado com você, Caty- ele garantiu, caminhando até ela- Relaxa, tá tudo bem- sorriu brevemente.
-Ok então- ela sussurrou sorrindo.
-Quer ir comigo?- perguntou mudando de assunto. O clima não estava lá essas coisas. A menina negou com um breve sorriso e Joe disse que logo voltaria. Colocou a coleira na cadelinha e saiu com ela.
Caty deveria estar no aeroporto às cinco da tarde, por isso Joe e Demi não iriam demorar muito. Alguns minutos depois de Joe ter saído, a campainha tocou e a menina foi atender.
-Hey!- Liam sorriu entrando na casa sem nem pedir permissão- Joe nem me disse que você estava aqui Caty, quanto tempo- ele lhe deu um abraço.
-E aí Liam- a menina sorriu encarando as outras pessoas atrás dele.
Depois de apresenta-los rapidamente, Liam foi até a cozinha e pegou um pedaço de bolo que estava sobre o balcão.
-Joe tá aí?- perguntou.
-Não, ele saiu pra levar a Milla pra passear- deu de ombros.
-Ele da mais atenção pra cachorra do que pra gente- David brincou.
- Só liga pra cachorra e pra Demi- uma das meninas resmungou. Aquela Clara que morria de ciúmes de tudo e todos.
-Pra Demi?- uma outra menina perguntou, como se perguntasse quem é Demi.
-Uma menina que o Joe tava pegando- Clara deu de ombros- Você não perdeu nada ao não conhecê-la.
Caty ouvia a tudo atentamente. Mas do que elas estavam falando?
-Ah que pena- Liam deu de ombros interrompendo-as- A gente ia chamar vocês pra ir à praia- fez uma careta- Bom, deixa pra outro dia.
-Pelo menos a gente não vai precisar ficar segurando vela de novo- Chloe disse revirando os olhos.
-Vocês são implicantes demais- David retrucou- Deixa eles dois em paz. Para de inveja.
-Eu não sei como você aguenta, Caty- Clara disse antes de se despedir.
Caty deu “tchau” a todos mas ainda estava presa em algumas partes da conversa. Joe e Demi estavam... juntos?
***
-Oi- Demi sorriu ao entrar e se sentou ao lado de Caty, no sofá- Ué, cadê o Joe?!- perguntou olhando ao redor.
-Nossa, você já está com saudades?- ela murmurou grossa.
-Hã? Não, eu só...
-Como você conseguiu esconder de mim que tinha acontecido alguma coisa entre vocês dois?- ela aumentou o tom de voz, virando-se para Demi. Seus olhos estavam vermelhos, mas não era só por causa do choro. Havia muita raiva ali.
-Como você...?- Demi a encarou surpresa. Joe havia contado? Como aquilo tinha acontecido?
-Você não ia me contar?- perguntou- Se você tivesse sido honesta, eu não teria descoberto por outra pessoa.
-Quem te contou isso? Foi o Joe?
-Importa?!- ela gritou- Não, o Joe não tem coragem de me falar mais nada pelo visto. Eu não acredito que eu fui tão estúpida!
-Olha Caty, eu juro que eu tentei acabar com isso mas não deu. Quando a gente viu já tinha acontecido, depois ele me pediu em namoro e...
-VOCÊS ESTÃO NAMORANDO?- ela berrou indignada- Eu não acredito que vocês dois conseguiram me enganar desse jeito, Demi! Como você teve coragem? Você era minha melhor amiga, você sabia o que eu sentia por ele.
-E você acha que eu não pensei nisso? Eu fiz de tudo pra ficar longe do Joe, mas eu me apaixonei por ele e infelizmente ele se apaixonou por mim.
-Ah infelizmente?! E você acha que eu vou acreditar em você depois disso?
-Pergunta pro Joe se você quiser, Caty- Demi também disse com a voz alterada.
-Ele escolheu você- ela sussurrou- Eu achei que ele nunca fosse me substituir por ninguém mas agora eu entendo porque ele me tratou desse jeito. Eu entendo tudo agora.
-Pelo amor de Deus, você pode tentar entender o meu lado?- pediu- Eu não forcei ninguém a nada! Eu não sabia como te contar, eu resisti a tudo que o Joe tentou até eu não poder mais. Eu contei a ele sobre você porque eu quis terminar o namoro e ele não. Você precisa entender que aconteceu! Eu não quis, mas...
-Você traiu a minha confiança, eu nunca faria isso com você! Quando eu ofereci a casa do Joe eu não me preocupei porque eu achei que pudesse confiar em você. Nada disso nem passou pela minha cabeça porque eu não deixei. Eu achei que você não fosse fazer algo desse tipo. Eu achei que se importasse comigo!
-Você acha que eu não me importo? Você não tem ideia de como eu sofri durante todos esses dias! Eu tive que esconder o seu segredo dele e ao mesmo tempo pensar em como eu ia te contar. Eu nunca quis te magoar.
-Essa foi a coisa mais estúpida que você já me disse! Achou que não fosse me magoar?- perguntou entre os dentes.
-Eu aceito que fique chateada comigo porque eu mereço, mas não pensa que eu fiz nada disso de propósito.
-Eu nunca deveria ter confiado em você. Quando o Bred fez aquilo tudo, eu fui a única que fiquei do teu lado e te ajudei a superar isso. Mas o que você fez? Você veio e já ficou com o meu melhor amigo? Você é uma vadia- ela gritou.
-Do que você me chamou?- Demi estreitou os olhos encarando-a furiosa. Vadia?
-Vadia sim! Manipuladora, traidora!- a menina se aproximou e apontou o dedo para Demi- Você fez a cabeça do Joe para que ele não quisesse nada comigo. Você o manipulou e fez com que ele mentisse pra mim. Ele caiu na sua e você se aproveitou. Podia ter acontecido alguma coisa entre nós dois se você não tivesse entrado no caminho.
-O Joe nunca te quis, Caty- a menina retrucou, tirando com força o braço dela de perto- Se ele se apaixonou por mim e não por você, a culpa não é minha nem dele. Talvez você devesse procurar alguém que te ame do mesmo jeito em vez de correr atrás de alguém que não vai nunca sentir o mesmo por você. Esquece o Joe, Caty! É o melhor que você tem a fazer.
Demi permaneceu parada com seus olhos marejados e furiosos. Caty lhe deu o tapa mais forte que conseguiu no rosto de Demi. Ela a encarou sem acreditar no que havia acontecido.
-Você tem o direito de pensar o que quiser, mas me dar um tapa no rosto, me chamar de vadia e me acusar de todas essas coisas você não pode!- ela gritou e sua voz falhou tamanha força que ela usara.
-Eu acho melhor você esquecer o Joe, porque você é só mais uma na vida dele. É só mais uma que vai se apaixonar e aproveitar enquanto pode, até ele quebrar o seu coração e você sair por aí chorando.
-Isso é o que? Inveja? Só porque antes de quebrar o meu coração a gente vai ter vivido coisas que você e ele nunca vão experimentar? Porque pelo que eu sei, ele já quebrou o seu coração e você já chora por ele todos os dias, o que é completamente ridículo!
-Eu te odeio- ela disse com lágrimas escorrendo por todo o seu rosto- EU TE ODEIO- Caty partiu para cima de Demi e ela segurou seu braço.
-Ei, o que tá acontecendo aqui?- Joe perguntou com a voz mais alta do que as duas. Ele já havia entrado no apartamento há algum tempo, mas nenhuma das duas havia reparado.
Ele já estava escutando algumas  coisas quando saiu do elevador. Ouviu o suficiente para ter uma ideia do que havia acontecido.
Caty empurrou Demi com força, o que a fez cair no chão. Ela havia diminuído a força com que segurava o braço da menina porque Joe chegara e com isso Demi pensou que a “luta” acabaria. Mas estava enganada e se deu conta disso quando sentiu seu corpo bater no chão com força.
-Você ficou maluca?!- ela perguntou assustada.
-Vai se fazer de vítima só porque o Joe ta aqui?- Caty perguntou sarcástica.
- Para com isso agora- ele mandou irritado, segurando os braços da menina com força- Para de ser criança e tenta entender o que aconteceu- pediu.
A menina o encarou, indignada, e ele foi até Demi, ajudando-a a se levantar.
-Você tá bem?- perguntou com um sussurro bem próximo dela, segurando-a com firmeza. A menina assentiu com a cabeça e respirou fundo tentando conter as lágrimas- Você... Caty você bateu nela?- ele perguntou com uma expressão horrorizada.
-Foi tudo culpa dessa falsa- ela acusou.
-O que aconteceu contigo?- ele gritou na direção dela- Enlouqueceu? Como você da um tapa nela assim, Caty?
-Por que você defende ela, Joe?- perguntou- Eu te conheço a muito mais tempo e eu achei que a nossa amizade fosse muito mais importante do que o namoro ridículo de vocês. Será que você é tão estúpido a ponto de deixar ela brincar com você desse jeito? A Demi sempre foi uma vadia que...
-Não abre a boca pra falar dela- ele se aproximou- A vida é minha e eu sei o que eu estou fazendo. Você não tem o direito de se meter nas minhas decisões. Talvez eu tenha sido estúpido o bastante pra te chamar de melhor amiga. Ou pra me importar tanto a ponto de deixar isso interferir no meu namoro.
-Por que você ta falando assim comigo?- ela perguntou com a voz mais baixa.
-Joe... não faz isso- Demi sussurrou próxima a ele- Você vai se arrepender- avisou.
-Cala a boca você- Caty disse com uma fúria repentina.
-Eu sei o que eu tô fazendo- ele afirmou- Sobe e pega um gelo pro seu pulso- ele disse, vendo a expressão de dor da menina- Eu vou conversar com a Caty.
-Tudo bem- assentiu respirando fundo- Me desculpa, Caty. Eu faria qualquer coisa pra você me perdoar.
Então ela subiu, deixando os dois sozinhos.
-Você tem certeza de que quer destruir uma amizade dessas assim, Caty?- Joe questionou com mais calma.
-Eu me arrependo por ter confiado nela- disse ainda nervosa.
-Olha pra mim- ele pediu segurando o rosto dela com delicadeza- Você ainda acredita em mim? Você ainda me considera seu melhor amigo?- ela assentiu- Então se eu disser que a Demi não me influenciou em nada, que ela não interferiu em nenhuma decisão minha, você acredita?
-Por que você trocou a nossa amizade por um namoro, Joe? Com a minha melhor amiga?
-Eu me apaixonei pela Demi, Caty. Antes de eu saber o que você sentia, mas isso não mudaria em nada. Por mais que eu te ame e me importe com você, eu não posso ignorar o que eu sinto. Eu amo a Demi, de um jeito diferente.
-Do jeito que eu sempre quis que você me amasse.
-Eu não disse que ela é melhor que você ou que eu amo mais ela- afirmou- Aconteceu. A gente acabou se envolvendo e deu nisso. Nenhum de nós dois pode mudar esse sentimento.
-Ela mentiu pra mim, ela... ela fez de tudo pra que você...
-Se você continuar dizendo que a Demi me manipulou eu vou ficar muito chateado e perder a paciência, Caty. Porque você está tentando convencer a si mesma de que foi isso que aconteceu só pra não precisar admitir o que no fundo você já sabe. Que eu me apaixonei por ela e não por você. Me desculpa- pediu vendo-a chorar- Mas... você precisa entender isso.
-Ela devia ter feito alguma coisa, Joe- sussurrou triste.
-Se você tivesse tentado ouvir em vez de bater nela- ele deu de ombros- Você sabia que a Demi não reclamou em nenhum sentido quando eu disse que tinha te beijado? Você sabia que ela tentou me fazer pensar que eu e você poderíamos dar certo? Ela quase terminou comigo no dia em que eu soube sobre você. A minha namorada me pediu pra terminar com ela e ficar com outra- disse- Depois você ainda vai dizer que ela não se importa com você?
-Você tem uma noção de como eu me senti sabendo que os meus melhores amigos estavam me enganando há tanto tempo?- perguntou- Me desculpa, mas você não passou por metade do que eu passei. Nem a Demi. Então nenhum de vocês pode me fazer sentir de outra forma.
-Eu ainda acho que você vai se arrepender por isso- disse se afastando- Eu não queria que a sua amizade com ela terminasse desse jeito. Quando você ama alguém você deixa ela ser feliz mesmo que isso custe a sua tristeza. Você não quer ver a Demi feliz? Você não quer me ver feliz?
-Ela não quis me ver feliz.
-Então porque você não joga a culpa em mim, hein?- questionou- Quer dizer que eu também não quis te ver feliz?
-Você quis me ver feliz sim!- garantiu.
-Por quê? O que eu fiz além de te dar um beijo e dizer que nada ia acontecer entre a gente?- perguntou- Eu fiz o mesmo que a Demi, Caty. Mas você não me culpa. Exatamente por causa do que eu te disse. Eu não pareço uma ameaça pra você, mas a Demi parece. Você tem medo que ela seja melhor, porque você acha que ela me roubou de você.
-Você...- ela tentou dizer alguma coisa mas não conseguiu. Seus olhos se encheram de lágrimas e Joe respirou fundo.
-Eu te conheço- ele forçou um sorriso- Pensa nisso- disse antes que ela saísse correndo para o quarto.
Joe bebeu um gole de água e aproveitou para levar para Demi também. Pegou mais uma bolsa de gelo caso a dela estivesse derretida e subiu rapidamente os degraus. A menina estava sentada no chão, com a cabeça apoiada na parede. Seu pulso estava meio vermelho e o gelo estava sobre ele. Seus olhos estavam fortemente fechados e lágrimas caíam, escorrendo pelo rosto dela.
Joe trancou a porta e mesmo com o barulho, ela não se mexeu. Quando o menino sentou-se próximo a ela, sentiu um pouco de receio ao falar alguma coisa ou tocá-la.
-Isso não é justo- ela sussurrou com a voz bem baixa- Você deveria estar lá e não aqui- disse abaixando a cabeça e desabando no colo de Joe. Ela achava sim que ele deveria estar com Caty, mas não negava que precisava do menino nesse momento.
-Você tem que parar de fingir que é indiferente pra você- ele disse- Talvez o seu problema seja sempre querer que eu fique com ela invés de com você- ele respirou fundo ouvindo-a soluçar- Desculpa, desculpa, desculpa, Demi- disse mexendo no cabeço dela- A minha cabeça tá pra lá e pra cá- sussurrou.
-Porque me defender se... ela que é a sua melhor amiga, ela que tem o direito de falar o que pensa? É a Caty que está na sua vida...
-Porque a certa é você- ele a interrompeu- A gente já não discutiu isso antes? Ela te deu um tapa, ela te empurrou, você acha que a certa é ela? Por te chamar de vadia?
-Não- murmurou com calma- Mas eu queria que tivesse uma outra opção.
-Agora você precisa esquecer disso. Tá todo mundo nervoso, com a cabeça quente. Depois vocês vão conversar e tudo vai dar certo. Eu já falei com ela, se acalma, tá?- pediu- Não se condena desse jeito.
A menina levantou sua cabeça do colo de Joe e enxugou as lágrimas, controlando bem o choro. Apoiou seu peso nos braços para se afastar mas a dor em seu pulso a fez reclamar. Joe segurou seu braço com delicadeza e beijou o local dolorido.
-Foi só um mal jeito- ela disse.
Ele colocou o gelo novo sobre o local machucado e puxou-a para mais perto.
***
Ele esperou que Demi se acalmasse e desceu. Caty estava preparando suas malas para a partida. Esse fora de longe o pior passeio de todos, a pior visita que ela já fizera a alguém e a pior que Joe recebera. Não foi culpa dela, talvez não tenha sido o melhor momento.
-Você quer que a Demi vá com a gente?- perguntou com cautela.
-Não- ela respondeu decidida.
-Caty...
-Eu vou me despedir dela. Mas eu não acho que a Demi queira me levar lá.
Caty pediu desculpas à amiga da forma mais breve que pode. Desculpas pelo tapa e pelo pulso machucado. Despediu-se e foi até o aeroporto com Joe. Ela logo embarcou e o menino permaneceu sentado em um dos bancos por algumas horas. Precisava de tempo, não para pensar, mas sim para respirar. Coisa que ele não andava fazendo direito há bastante tempo.
***
-Hey, cheguei- ele gritou ao fechar a porta do apartamento atrás de si. Deveria estar sentindo algum tipo de alívio agora, mas era meio que o contrário.
-E aí, como foi?- ela perguntou com a voz serena.
-Bom- deu de ombros- A gente conversou, ela tá melhor. Demi forçou um sorriso e ele se aproximou, segurando-a pela cintura- E você?
-Eu tô bem- afirmou.
Ele colocou uma mexa de seu cabelo para trás e juntou seus lábios com calma. Acariciou a lateral do corpo de Demi e puxou-a para mais perto pela nuca. Depois de algum tempo envolvidos no beijo, ele caminhou com a menina até o sofá. Os dois caíram e Joe colocou uma de suas pernas ao redor do corpo de Demi.
Distribuiu beijos por seu pescoço e continuou descendo até que ela o parasse.
-Não hoje, Joe- ela disse- Desculpa, mas eu não tô com cabeça pra isso agora.
Ele beijou o rosto de Demi com calma e acariciou sua bochecha.
-Dorme no meu quarto hoje então?- perguntou.
-Joe, eu...
-Por favor, Demi- ele disse- Só dormir.
-Tudo bem- ela assentiu lhe dando um abraço carinhoso.
-Que foi, hein? Não quer ficar comigo?- questionou com carinha de cachorro sem dono.
-A pergunta mais absurda que você já me fez- ela sorriu- Eu só preciso esvaziar a minha cabeça- disse.
Ele assentiu e foram juntos para o quarto. Demi deitou na cama, cheia de travesseiros e almofadas ao seu redor. Joe disse que iria tomar um banho enquanto a menina assistia a um filme.
-Eu acho que você está precisando relaxar- ele disse massageando a nuca de Demi- E eu acho que um banho de banheira seria uma ótima escolha- sorriu encarando-a.
-Mas eu...
-Vem- ele puxou-a pela mão e eles entraram no banheiro. A água já estava preparada e havia muita espuma por toda a superfície.
Joe já estava sem camisa e vestia apenas um short. Demi encarou a banheira com um sorriso bobo no rosto. Ele encarou-a enquanto segurava sua cintura e levantou a blusa da menina com calma, pronto para tirá-la.
-Joe- a menina repreendeu.
-É só um banho pra relaxar- ele afirmou- Prometo- sorriu.

Demi deixou que ele tirasse sua blusa e logo depois o short. Joe entrou na banheira e a ajudou depois. Demi sentou no colo do menino e ele depositou seu rosto no pescoço dela. Joe a abraçou por trás enquanto Demi brincava com a espuma, ouvindo-o sussurrar em seu ouvido “eu te amo”.
Continua...
Hoje a Stephanie (<3) me deu várias ideias que me ajudaram a escrever esse capítulo e vão me ajudar a escrever os próximos, por isso, obrigada! E a Anna também me deu uma mãozinha \õ\õ 
Então... comentem bastante, tá?! Amo vocês <3
Beijinhos,
Brubs!

27 de jul de 2013

Capítulo Vinte e Três!

Quando estacionaram o carro na rua, Joe puxou  a menina para um beijo intenso e apaixonado. Era como se aquilo lhe desse a coragem de que precisava.
-Eu te amo muito, e nada que aconteça vai mudar isso- ele garantiu com a testa colada à dela e a menina assentiu com os olhos marejados. Respirou fundo e se afastou, abrindo a porta do carro. Se continuasse ali seria pior.
Entraram, não de mãos dadas, e logo cumprimentaram todos. Porém Caty não estava ali e Joe entendeu que ela tentava a todo custo fugir da conversa, assim como ele tinha vontade de fazer.
-A Caty foi fazer uma visita ao irmão no trabalho- o pai de Joe explicou- Aconteceu alguma coisa, Joe?- perguntou atencioso.
Então ele contou tudo. Tinham tempo e precisavam falar sobre aquilo com alguém mais, sentiam isso. Os pais de Joe tentaram parecer imparciais, mas eles concordaram que o certo seria contar e que Demi não tinha culpa. Simplesmente aconteceu.
***
Já havia até escurecido e Caty não havia voltado. Joe estava preocupado, claro, assim como todos estavam. Queria que ela chegasse logo para que pudessem acabar com isso de uma vez.
-Ela só deve estar tentando adiar isso tudo cada vez mais- Joe sussurrou, acariciando a mão de Demi.
-Tem como a gente esquecer isso por um segundo?- pediu- A minha cabeça ta explodindo eu preciso tirar isso daqui de dentro.
-Só uma pergunta- ele disse- Você quer que eu conte a ela?
-Não. Não aqui na casa dos seus pais- disse com firmeza- Eu vou contar. Eu fiz a burrada, eu concerto.
Ele assentiu e beijou-lhe os cabelos.
-Desculpa, não tô muito pra papo hoje- ele fez uma careta.
-Você... não quer conversar?- ela perguntou receosa.
-Não, não é isso- o menino sorriu lhe roubando um selinho- É que eu não consigo encontrar assunto nenhum- deu de ombros.
-O que... você mais gosta de fazer?
-Hum... ficar com você.
-O que você mais gostava de fazer antes de me conhecer?- ela sorriu reformulando a pergunta.
-Não tô afim de pensar- ele sorriu beijando o pescoço da menina.
Demi segurou o rosto do menino entre as mãos e iniciou um beijo cheio de saudades. Mesmo que já tivessem se beijado depois que Caty chegou, nada era comparado àquilo. Parecia que era a primeira vez que conseguiam realmente aproveitar o momento.
O menino puxou-a para mais perto, segurando em sua cintura e em sua nuca. Ele depositou uma de suas mãos nas costas de Demi, por debaixo da blusa e subiu até que encontrasse o fecho do sutiã. Sorriu entre o beijo ao perceber que ela o pararia mas não lhe deu essa oportunidade, apenas juntou mais seus corpos. Trouxe suas mãos para a cintura dela e logo estavam em sua barriga. Joe ainda sorria enquanto Demi tentava entender onde ele queria chegar.
Sentia as mãos quentes de Joe por seu corpo e tentava se concentrar no beijo, porque quanto mais ele a tocava, mas o desejo aumentava dentro de seu corpo.
-Não na casa dos seus pais, né?!- a menina se afastou lentamente e sem vontade alguma.
-O problema é que eu não sei quanto tempo temos- ele disse de forma engraçada e ela gargalhou- Mas se eu pudesse passar o resto do dia só com você eu já teria...
-Ok, ok, sabemos o que você teria feito não precisa espalhar- ela sussurrou beijando-lhe novamente enquanto Joe ria.
-Ei, a Caty chegou- o pai de Joe disse em tom baixo.
Joe e Demi trocaram um olhar sem muito significado e ele foi em direção à sala. Caty estava entrando enquanto conversava com Denise e o menino esperou que ela o visse. Assim que o fez, ela abaixou a cabeça envergonhada. Ótimo, ele ainda precisaria conduzir toda a conversa, porque duvidava que Caty começaria falando alguma coisa. Talvez ela até falasse, já que estava tão determinada,  mas a iniciativa deveria partir de Joe.
-A gente pode conversar?- perguntou se aproximando dela quando seus pais deixaram os dois a sós. Joe mexia no cabelo, o que mostrava o quão nervoso estava.
Ela concordou brevemente com a cabeça e ambos caminharam até o jardim. Aquele era o lugar mais reservado que existia na casa e assim era melhor. Sentaram-se no chão e o clima estava péssimo, além de pesado demais.
-Me desculpa, Caty- ele pediu com a voz lotada de arrependimento- Eu não queria ter te dito aquilo daquela forma.
-Tá tudo bem, Joe- ela sussurrou e ele sentiu como se a menina fizesse um esforço enorme para pronunciar qualquer coisa- Eu não fiquei chateada com você, juro- forçou um sorriso ainda sem encará-lo.
-Eu só não sabia como te dizer aquilo- continuou- Você sabe que eu te amo demais, não sabe?- perguntou e ela assentiu- Eu... queria arrumar um jeito de não te magoar tanto.
-Não ia funcionar. Eu prefiro que me fale a verdade, sério. Por mais que magoe. Eu... demorei muito pra decidir que ia te contar. A Demi sempre me dava força mas eu nunca achei que fosse funcionar. Então um dia eu parei e pensei “porque não”?- abriu um sorriso triste- Você dizia que me amava e... tantas outras coisas, Joe- sussurrou- Eu me iludi demais com tudo o que eu recebi de você. Não ache que eu estou te culpando- pediu apreensiva.
-Mas nada do que eu te disse era mentira- assegurou- Só que... você levou pra um outro lado por causa... do que você sente. Pra mim era só um lance de amizade verdadeira, sabe? Eu realmente daria a minha vida por você, Caty e eu nunca quero te perder. Mas... nada disso significa que eu seja apaixonado por você.
-Eu entendo- abaixou a cabeça.
-Você é quase uma irmã pra mim. Não quero que você pense que é porque eu não te acho linda, divertida, sei lá, não é porque possa existir alguém melhor.
-Era exatamente assim que eu me sentia- ela confessou com a mesma expressão sorridente porém magoada- Eu achava que não era boa o suficiente. Por que...durante todo esse tempo eu vi você com aquelas garotas e... eu tentei entender porque não eu se você dizia que eu era a melhor. Pra mim...era como uma mentira. Talvez porque você tivesse um carinho especial por mim e não quisesse me ver mal. Eu sempre me perguntei o que elas tinham que eu não tinha.
-Você é a melhor- Joe levou uma de suas mãos até o rosto dela, fazendo-a encará-lo pela primeira vez. Percebeu como seus olhos estavam marejados e como a vontade de chorar que ela tinha era visível. Ele não podia deixar isso acontecer de maneira alguma- Você é tudo que um cara pode querer. Você é especial, você é muito, muito, muito melhor do que essas vadias que andam por aí. O motivo de eu não ter me apaixonado por você é exatamente a sua importância. A sua amizade pra mim significa tudo e eu não me perdoaria se te perdesse. Eu não queria correr o risco de te magoar. Você é muito valiosa pra eu arriscar. Eu não posso e eu não consigo- confessou sincero- Me desculpa, por favor.
-Está se desculpando comigo por não sentir o mesmo?- ela questionou- Não faz isso, Joe- pediu respirando fundo- Não fala como se fosse uma obrigação.
-Estou me desculpando por te magoar. Por te fazer chorar durante tanto tempo e sim, por não te amar do mesmo jeito que você me ama. Porque não dá pra eu fingir que eu não sei disso. Pensar que você não é boa o suficiente é a maior burrada que você pode fazer. Você vai encontrar alguém que te faça muito feliz e eu vou estar aqui pra ver isso acontecer. Eu vou estar sempre aqui- prometeu.
-A sua amizade é a coisa mais importante que eu tenho na minha vida- ela disse deixando uma lágrima escapar, mas ele logo a enxugou- Eu não sei como eu viveria sem você do meu lado pra me fazer sorrir todos os dias. Então... por favor, não deixa as coisas mudarem- pediu.
-Não vou deixar- ele colocou o cabelo dela para trás.
-Por causa disso tudo, tudo que eu falei e por tudo que você agora sabe também- disse enquanto ele assentia.
Joe puxou a menina para um abraço carinhoso que durou bastante tempo. Ambos permaneceram em silêncio até que ela se afastou e voltou para a posição inicial.
- Posso te pedir uma coisa?- ela sussurrou depois de abrir e fechar a boca algumas vezes como alguém que não sabe se deve ou não falar alguma coisa.
-Claro- ele concordou com um breve sorriso, tentando encorajá-la.
-Você...- ela respirou fundo e contou até 10- Será que você podia me dar um beijo?- pediu com o rosto pegando fogo e se não estivesse muito escuro lá, Joe veria seu rosto soltando chamas. Era uma pergunta um pouco inconveniente e absurda, mas ela precisava fazê-la.
-Caty...- ele pronunciou o nome dela com calma, procurando as palavras certas. Mas não havia palavras, esse era o problema.
-É só um beijo, eu juro- ela disse com a voz fraca. Ele estava apenas vendo a hora em que ela começaria a chorar ali. Caty era sensível demais e isso condenava Joe muitas vezes- Não quero nada, eu não vou te perturbar, vai voltar a ser como era antes- disse rapidamente.
-Eu... não posso, Caty- Joe sussurrou sentindo-se a beira de um penhasco.
-É só um beijo- repetiu. Ela não implorava como uma criancinha chata de 5 anos de idade. Sua voz demonstrava a necessidade que ela tinha de ser beijada ao menos uma vez por ele- Eu sei que eu sou como uma irmã pra você, eu sei que não quer isso- disse- Mas...
Ela parou de falar e fitou as mãos sobre o colo. As lágrimas já desciam, mas não eram muitas. Ela não queria chorar mais uma vez, nem ali naquele momento. Alguns segundos se passaram até que ela sentiu uma das mãos de Joe em sua nuca. Quando levantou a cabeça lentamente, seus olhos se encontraram com os dele e Joe fitou-a com intensidade. Não estava fazendo a coisa certa, mas era só o que podia fazer. Já havia tirado tanta coisa da menina, tanta esperança, lágrimas incontáveis... não seria a hora de acabar logo com isso fazendo-a sentir-se bem?
Ele se aproximou com calma e fechou os olhos quando sentiu suas respirações juntas. A menina fez o mesmo, sem saber o que pensar. O pedido havia sido meio espontâneo e a deixava nervosa demais. Seu coração batia forte e ela não conseguia acreditar no que estava prestes a acontecer. Joe juntou seus lábios com calma e assim permaneceu durante alguns segundos. Intensificou o beijo pedindo passagem com a língua e acariciando a bochecha dela. Caty levou uma de suas mãos até a nuca dele e foi quando Joe percebeu que deveria parar. O erro que cometia já era grande demais e a primeira coisa que lhe veio na cabeça foi Demi. Mas ele logo espantou esse pensamento e partiu o beijo com calma. Ele se afastou logo depois e ela abriu os olhos, sem saber muito bem o que fazer ou esperar dele. Abriu um sorriso que não conseguiu controlar e suspirou ao sentir a mão de Joe sair de sua nuca. Ele a encarou por alguns instantes e depois levantou-se, caminhando na direção da casa com as mãos dentro dos bolsos e os olhos virados parra o chão. O que ele havia feito?
Não queria encontrar Demi nesse momento porque não saberia como encará-la. Mas a menina estava apreensiva encostada na porta da varanda. Por sorte ela não tinha visto a cena, mas logo saberia do ocorrido. Quando Joe se aproximou ela respirou fundo tentando identificar como havia sido através da postura ou olhar dele. Logo ela concluiu que não havia ocorrido muito bem, até porque ele estava sozinho e não havia sinal de Caty.
Joe passou por ela sem falar ou fazer nada. A menina estranhou o ato, que a amedrontou ainda mais. Segui-o cautelosamente e observou-o enquanto ele sentava no sofá com as mãos na cabeça e os cotovelos apoiados nos joelhos.
Ela sentou-se ao seu lado e ele mudou de posição, encostando suas costas no sofá e jogando a cabeça para trás.
-Procura a Caty pra mim- ele pediu sem encará-la- Eu acho melhor a gente ir embora- disse por fim.
-O que aconteceu, Joe?- ela sussurrou olhando para a entrada e certificando-se de que Caty não estava ali.
-Eu a beijei- ele disse com uma das mãos no cabelo e uma expressão indecifrável. Encarou-a no mesmo momento em que soltou as palavras.
Demi suspirou e levantou-se. Passou uma das mãos no rosto e virou-se novamente para olhá-lo. Ele sussurrou um “desculpa” e ela assentiu, sem mostrar-se chateada ou irritada. Apenas seguiu a procura da amiga.
Ao chegarem ao apartamento, Caty carregou a amiga rapidamente até o quarto que as duas agora dividiam. Joe não teve tempo de conversar com nenhuma delas. Na verdade, não queria falar com Caty e sim com Demi. Pelo menos saber se estava tudo bem, já que durante o caminho nenhuma palavra foi dita. O percurso que antes durava meia hora pareceu uma eternidade sem fim.
-Ele me beijou- ela sussurrou depois de fechar a porta atrás de si. Não que ela estivesse completamente feliz, mas tinha algo em especial que seus olhos deixavam transparecer.
-Isso quer dizer que vocês estão juntos? O que aconteceu?- Demi perguntou. Tudo bem, ela sabia que não estavam juntos mas ainda precisava tentar compreender a parte do beijo.
-Não- murmurou desanimada- Ele não quer nada comigo, como já tinha dito antes. Ele me explicou que eu sou como uma irmã, que não podia correr o risco de me perder...essas coisas.
-E o que você falou pra ele?- perguntou- O clima tá meio estranho...- comentou dando de ombros.
-É... eu disse algumas coisas, nada demais...- afirmou- Só que eu pedi que ele me beijasse- confessou com um sorrisinho simples.
-Assim? Do nada?
-É... eu não sei por quê. Eu não estava pensando nisso, aliás, pensar em beijar ele já me deixava completamente nervosa e sei lá, eu não me sentia bem com a ideia. E isso é o mais estranho, porque eu sou apaixonada por ele e tudo mais- suspirou- Só sei que acabou saindo da minha boca.
-Vocês se falaram depois disso? Porque parece que um tá ignorando o outro...
-Eu acho que do mesmo jeito que é estranho pra mim, é ainda pior pra ele. O Joe não queria, ele tentou dizer que não mas eu acabei insistindo. É só um beijo... ele já deu tantos- deu de ombros- Mas não, nós não nos falamos. Ele me beijou e depois foi embora. Aí você foi lá me chamar e aqui estamos. Nenhuma palavra vinda dele.
-O Joe deve estar muito confuso, Caty- sussurrou sentindo em si a angústia dele.
-Eu sei- suspirou- Eu tenho medo de como vai ficar o clima entre a gente depois disso tudo e principalmente depois do beijo. Mas... eu posso me preocupar com isso depois. Ele... me beijou, isso é inacreditável. Eu mereço ficar feliz por alguns segundos- riu sem humor.
-Acho que você tem esse direito- riu também- E o que você achou?- questionou com um sorrisinho no rosto. Forçado, mas bem feito.
-Ele beija muito bem- afirmou. Demi sorriu, tentando parecer gostar do assunto. Como se ela não soubesse das coisas que ele sabia fazer bem. Era difícil ter uma conversa daquelas com a amiga- Ele... ah, não sei como te explicar, Demi. Só sentindo mesmo. Mas eu descobri porque as pessoas se apaixonam por ele- riu.
-Pelo menos agora eu consigo te ver feliz- deu de ombros sorrindo meiga.
-É... eu vou me contentar com isso e com tudo que ele me disse. Eu me sinto importante- afirmou- E bom, eu achei que ele me daria só um selinho, foi melhor do que eu pensava, nesse sentido.
-Você pretende falar com ele normalmente como se não tivesse acontecido?- ela buscava perguntas que pudessem ser as mesmas que Joe se fazia.
-Sim, não, não sei- murmurou indecisa- Eu preciso saber antes o que ele está pensando de mim- disse- Eu acho que forcei um pouco a barra, eu sabia que ele não ia conseguir recusar por causa de tudo- disse- Não usei chantagem emocional nem nada, só... foi o que aconteceu. Eu não sei o que ele vai fazer.
-Como pretende descobrir?
-Você pode ir falar com ele?- pediu. Mal sabia ela que Demi também não estava muito afim de falar com Joe agora, ela sabia que ele não estava pra papo- Pode dizer tudo que eu te disse, só não exagera- pediu- Vai lá, por favor.
-O que te leva a pensar que o Joe vai se abrir comigo?- ela riu sem humor.
-Eu sei que ele vai- ela garantiu- Vocês são amigos - e então ela empurrou Demi para fora do quarto.
A menina respirou fundo e segurou a oportunidade. Parando pra pensar melhor, talvez aquela fosse a sua chance de falar com Joe a sós, sem que precisasse se preocupar muito com a amiga. Subiu a escada e o encontrou no corredor, caminhando até o quarto com uma garrafa de água nas mãos. Ele se virou quando sentiu a presença da menina ali e abaixou a cabeça encarando a mão na maçaneta. Respirou fundo e fez sinal para que ela o acompanhasse.
-Eu acho que ela já te contou o que aconteceu- ele disse, deitando-se na cama e fechando os olhos por um segundo.
-Tudinho- a menina assentiu próxima a ele.
-Ah Demi, a Caty me colocou numa sinuca de bico- ele murmurou arrependido- Eu não consegui pensar em nada, eu tive que fazer aquilo.
-Eu... disse que você ia me trair- ela sussurrou desviando o olhar.
-Não- ele negou rapidamente e segurou uma das mãos dela- Eu não...
-É brincadeira, Joe- ela forçou um sorriso meigo- Tá tudo bem, sério.
-Eu não tive escolha- Joe entrelaçou seus dedos acariciando a mão dela- Foi só um beijo, não teve significado nenhum- garantiu.
-Eu sei- ela o encarou com calma.
-Por que você veio aqui?- perguntou depois de um tempo, sabendo que a menina não saíra a sua procura para conversar sobre o beijo.
-A Caty me pediu pra vir aqui- ela disse sentindo o menino deitar a cabeça em seu colo. Demi começou a mexer em seu cabelo com a outra mão- Ela queria saber o que você está pensando disso tudo.
-Ela não tem culpa- suspirou- Na verdade, ninguém tem culpa de nada mas o problema só fica cada vez maior. As coisas simplesmente acontecem. Só que nada mais tá dando certo.
-O clima tá horrível, você sabe, né?!
-Aham. Mas nisso eu consigo dar um jeito, eu sei lidar com a Caty.
-Não até ela te pedir algo- a menina concluiu.
-Só não achei que era justo que ela sofresse tanto. Se eu tive a chance de melhorar um pouco o que ela sentia... eu não podia deixar passar.
-Você está tentando me dizer que amanhã vai estar tudo ótimo?
-Não sei de nada- ele apertou suas mãos unidas e com o polegar acariciou a perna da menina- Só que não quero mais pensar em Caty, nem beijo, nem namoro, nem nada.
Começaram a conversar e o assunto que surgiu os agradou. O menino ria deitado sobre ela e Demi gargalhava ainda mexendo em seu cabelo. Caty apareceu na porta e observou a cena. Não ouviu nada que não deveria, não teve vontade alguma de ir até lá e tirar satisfações. Apenas deu meia volta depois de ver o quanto se divertiam juntos.

Joe pegou no sono algum tempo depois e Demi permaneceu ali, vendo-o dormir.

Continua...
Já coloquei esse gif? o.O
Gente... esse capítulo mexeu mesmo comigo e eu usei meu coração pra escrevê-lo, mais do que eu já usei pra escrever qualquer outro. Espero que tenham gostado :)
Comentem, ok? Obrigada por tudinho *-*
Mil beijocas,
Brubs <3

25 de jul de 2013

Capítulo Vinte e Dois!

-Isso é um sonho?- ela perguntou sorrindo com os beijos que eram distribuídos por todo o seu rosto.
-Bom dia- ele sorriu- Eu convenci a Caty a ir comprar pão depois da caminhada dela. Temos um tempo juntos.
-Obrigada por isso- a menina sussurrou sincera enquanto apertava os olhos.
-Não tem de que- ele colocou uma mexa de cabelo para trás da orelha dela- Eu não queria te acordar mas não tive outra escolha- ele fez uma careta, pegando-a no colo e jogando seu corpo por cima do ombro.
-Você podia ser mais discreto e tirar a cara da minha bunda-  ela murmurou e o menino sorriu.
-Não estou com a cara na sua bunda, estou beijando a sua coxa- concertou fazendo-a bufar.
-Ai!- a menina passou a mão sobre a cabeça que acabara de bater no teto- Ei, doeu!
-Pelo menos agora você acordou- deu de ombros, colocando-a no chão.
O menino a abraçou carinhosamente por trás e caminhou junto a ela até o banheiro. Esperou que Demi jogasse uma água no rosto e escovasse os dentes. Ainda com a cabeça escondida no pescoço da menina, Joe lhe distribuiu beijos e depois se afastou com calma, virando-a para si.
Segurou a cintura de Demi com firmeza e deslizou sua outra mão, levando-a até o rosto da menina. Acariciou-o sentindo sua pele quente e macia. Seus olhos brilhavam ingenuamente e Joe levou alguns segundos até que conseguisse desviar seus olhos dos lábios dela, juntando-os aos seus.
-Tem uma coisa que eu preciso te contar- ele disse com os braços ao redor da cintura dela.
-Nããão, não fala- pediu manhosa, sentando-se no banquinho da cozinha e enterrando o rosto no peito dele.
-A gente precisa...
-Não fala, Joe- pediu novamente, respirando pesadamente enquanto sentia as mãos dele acariciando suas costas.
Ele puxou um banco para a frente dela e sentou-se ali, bem perto, segurando as mãos da menina que estavam tranquilamente deitadas sobre suas coxas.
-Eu falo rapidinho e depois eu te dou quantos beijos você quiser, ok?- sugeriu sorrindo e apoiando os cotovelos nos joelhos, inclinando seu corpo para frente.
-Tá, fala logo.
-Quando eu acordei a Caty me disse que tinha ligado pra minha mãe e marcado um almoço. Depois que ela me contou isso, ela disse que precisava conversar comigo sobre um assunto sério mas que queria deixar pra mais tarde- ele disse tudo com muita rapidez, o que  fez a menina rir.
-Você não sabe o que fazer, não é?- ela sorriu sem alegria alguma.
-Eu tenho que te confessar uma coisa. Eu nunca disse não pra nenhuma garota que se declarou pra mim- disse receoso- Se fosse uma qualquer que só quisesse um beijo ou uma noite eu não me importava em dispensar. Mas quando a pessoa dizia que me amava e essas outras coisas eu meio que não conseguia resistir.
Demi gargalhou alto e ele a acompanhou. A sessão de risos não durou muito, afinal, deveriam focar no problema. Mas o visível desespero dele foi bem engraçado.
-Isso é bom, sabia?
-É?!- ele fez uma careta, confuso.
-Por um lado- Demi afirmou- Você se preocupa com as pessoas, você não gosta de magoá-las. Agora... a parte de ter medo de magoá-las é o lado ruim.
-Eu sei que nessa de “medo de magoar” eu só vou acabar magoando mais, porque eu vou dar à pessoa uma coisa que não é verdadeira e depois de um tempo vai simplesmente acabar porque na verdade não deveria ter nem começado. Só que... eu gosto de pensar que eu fiz ela feliz por um tempo, entende?
-Aham- ela assentiu- E o que você pretende fazer? Você quer terminar pra ficar com a Caty durante um tempo e depois que acabar voltar comigo?- perguntou. Não havia sarcasmo em sua voz, nem um pinto sequer de ironia. Ela estava falando sério, por mais surreal que aquilo parecesse. Ela estava com a cabeça baixa e os olhos fixos em suas mãos. Tinha uma expressão triste e sua voz parecia sem vida.
-Você está mesmo pensando nessa possibilidade?- ele questionou boquiaberto. Ela não podia estar falando sério- Eu nunca faria isso. Eu não vou terminar com você, Demi, eu só...
-Você vai me trair?- ela sugeriu, no mesmo tom de voz. Se a situação não fosse tão séria, ele diria que ela estava brincando.
-Demi, você tá falando sério?- levantou o rosto dela com uma das mãos em seu queixo- Enlouqueceu, foi?
-Não, eu...- ela balançou a cabeça e riu sem muito humor como se tivesse acabado de perceber como os últimos segundos haviam sido loucos- Você não vai magoar a Caty, Joe, eu sinto isso.
-Ok, mas eu não vou te magoar- ele sussurrou como se estivesse apenas ouvindo absurdos da boca dela.
-A Caty te ama desde que vocês usam fraldas! Ela já fez tanta coisa por você... ela já provou tantas vezes que te merece. Ela te ama muito, Joe. Muito mais do que qualquer um vai te amar.
-Demi, a discussão não é sobre quem me ama mais ou quem já fez mais coisas por mim- ele avisou- É sobre quem eu amo. E por favor, para, porque a última coisa que eu preciso é a minha namorada tentando me convencer de ficar com outra- ele revirou os olhos.
-Tá... é que eu me sinto culpada- ela disse- Eu sinto como se você tivesse escolhido entre nós duas. Você não percebe isso porque não sabia dessa paixão dela por você, mas eu sabia. E ela vai sentir o mesmo que eu.
-Ela vai precisar saber de qualquer jeito. Então mesmo que isso quebre o meu coração em pedaços, eu sei que ela vai sair magoada porque a burrada já foi feita. Eu só estou tentando... diminuir um pouco o estrago.
-Foi tudo culpa minha- disse decidida.
-Seria culpa sua se você tivesse tido a intenção de traí-la ou se você tivesse se apaixonado por mim de propósito. Se você tivesse feito qualquer coisa pra que eu me apaixonasse. Mas você foi quem mais tentou evitar isso.
-Ah e você acha que a Caty vai levar em conta isso?- questionou arqueando as sobrancelhas.
-Óbvio que não- murmurou- Ah mas que merda. Eu admito, não tenho coragem pra virar pra ela e falar “Olha Caty, eu não sou apaixonado por você e eu não quero que nada aconteça entre a gente”.
-Tudo bem, você não vai precisar mais se preocupar em ter coragem pra isso- Demi virou na mesma hora para a porta e levantou-se do banco com um pulo. Joe fechou os olhos com força e teve vontade de bater a cabeça no mármore onde suas mãos estavam encostadas e seus punhos cerrados. Porque diabos ela tinha que chegar naquele momento?
-Caty, por favor- ele virou-se na direção dela com calma, respirando fundo.
A menina correu para o andar de cima e ambos sabiam que ela estava chorando. Joe e Demi não tentaram ir atrás dela, eles apenas permaneceram em seus lugares sentindo o nervosismo e desespero os invadirem. Por um lado havia sido mais fácil do que imaginaram, certo?!
-Eu não tô acreditando nisso- Demi sussurrou tentando controlar sua respiração. Ela sabia que faltava muito pouco para que as lágrimas começassem a descer. Além dessa estranha mania de chorar ao ver Caty triste, ela sentia-se culpada e mais nervosa do que nunca. O que aconteceria a partir de agora era um mistério. Porém ela engoliu o choro e levou uma das mãos ao rosto, apertando as têmporas. Ela não iria colocar Joe numa situação ainda mais complicada do que aquela. Se recusava a mantê-lo preso à ela, não choraria ali, não na frente dele.
-Eu não vou falar com ela agora- ele comentou com a voz fraca- Daqui a pouco eu volto.
A menina não perguntou onde ele iria ou o que faria. Era melhor assim, deixa-lo quieto. Concordava que não era o melhor momento para falar com Caty, talvez ela devesse tentar antes de Joe. Afinal, Demi sabia sobre toda essa coisa que a amiga sentia por ele. Só precisaria explicar porque o assunto era esse quando ela chegou e isso lhe causou arrepios. Caty sabia que Demi contara a Joe.
Joe se aproximou e apoiou sua mão com calma nas costas de Demi. Beijou-lhe a testa com delicadeza e virou-se, caminhando na direção da porta.
Naquele momento, Demi engoliu o medo e o choro novamente. Ergueu a cabeça como se aquilo não tivesse causado tamanho impacto sobre ela e subiu os degraus da escada com calma. Decidiu que não pensaria em nada para dizer à ela. Tudo sairia naturalmente e teria que funcionar. Ela precisava fazer Caty sentir-se bem.
-Ei, posso entrar?- perguntou batendo na porta. Fechou os olhos novamente ao ouvir o choro abafado dela.
-Não- Caty sussurrou com a voz embargada.
-O Joe não está aqui, ele saiu- Demi afirmou com tranquilidade na voz. Ou melhor, fingindo tranquilidade.
Depois de alguns minutos Demi ainda estava ali, parada e encostada na porta. Por alguma razão, ela não conseguia ir embora.
A porta se abriu e ela não teve tempo nem para pensar. Abraçou a amiga que se jogara em seus braços. As lágrimas molhavam sua camisa e o choro desesperado de Caty lhe causava agonia. Não era um reflexo de uma simples “paixonite”, aquilo era dor.
-Ele não fez por mal- Demi garantiu. Não queria de maneira nenhuma que a menina ficasse com raiva de Joe.
-Eu não estou chateada com ele, Demi- ela disse entre as lágrimas, que agora (depois de alguns longos minutos) haviam diminuído- É só que... eu achei que existisse alguma chance. Não esperava por isso.
-Sei que não- sussurrou carinhosa- Mas lembra do que eu te disse? Talvez seja melhor pra vocês dois ficar com a amizade e aproveitar isso. Ele te ama demais e nunca faria nada pra te ver mal. Por isso ele não sabia como te falar aquilo. O Joe pensou todas as formas possíveis para não te magoar.
-Demi... você contou a ele?- ela fez a pergunta tão esperada e evitada.
-Me desculpa- pediu respirando fundo- Ele veio me perguntar se eu sabia sobre o que você queria falar com ele hoje a noite e eu pensei que pudesse ser isso...depois de um tempo conversando eu acabei contando.
-Não tem problema- ela forçou um sorriso- Talvez eu devesse ter contado antes e... acho que foi melhor. Talvez ele não fosse ter a coragem mesmo de me falar isso na cara.
-Ele não tinha coragem de te magoar, Caty- eu afirmei e ela assentiu- Só... pensa assim, imagina se ele aceitasse namorar com você, ou ficar, não sei, só porque não queria te magoar. Você se sentiria bem com isso depois? Quando ele terminasse com você?
-Nunca- balançou a cabeça- Seria pior ainda saber que tudo foi falso.
-Então, aproveita a amizade enquanto você pode. Não deixa nada disso ir por água abaixo. Muitas vezes a gente tem que entender que alguns amigos são mais especiais do que a gente pensa, sem que a gente precise perdê-los antes.
-Eu te amo- ela sussurrou e lhe deu um abraço forte.
Demi disse o mesmo e deixou que as lágrimas silenciosas da amiga caíssem sobre seu colo.
-Demi... eu não quero ter que falar com ele agora- ela disse depois de um tempo- Eu vou tomar um banho rápido e vou pra casa dos pais dele. A gente se vê lá, ok? Eu pego um taxi e chego em minutos.
-Não quer que eu vá com você?- perguntou apreensiva.
-Não precisa. Avisa ao Joe que eu fui- forçou um sorriso e correu para dentro do banheiro.
Depois de uma ducha, ela colocou uma roupa e pediu a ajuda de Demi para descer com suas malas e coloca-las no quarto da amiga. Dormir com Joe depois disso não estava nos planos de Caty. Não que ela quisesse distância dele... mas no momento não era a melhor opção.
Despediram-se com mais um abraço apertado e Demi jogou-se no sofá, respirando fundo. Estava angustiada demais para chorar. Estava tudo muito confuso dentro dela e seu coração ainda permanecia apertado por causa da última hora que passara com Caty. Não sabia o que fazer.
Ela arrumou-se rapidamente e sentou-se à espera de Joe. Ele chegou alguns minutos depois com uma expressão facial terrível.
-Me diz que você falou com ela- ele quase implorou.
-Sim- assentiu- A Caty foi pra casa dos seus pais faz mais ou menos uma hora- deu de ombros- Pediu que a gente encontrasse ela lá.
-Ela não quer falar comigo- ele murmurou e sentou no sofá.
-Não é isso- ela se ajoelhou próxima a ele- A gente conversou e... ela não está chateada nem irritada. Ela só não queria te ver agora. Mas daqui a pouco vocês vão conversar.
-Você tá bem?- ele perguntou.
-Eu... eu não sei- sussurrou- Eu tive que mentir pra ela, de novo, eu inventei uma besteira pra explicar porque eu te contei sobre essa paixão dela. E depois do que eu vi... eu não quero ter que fazer a Caty chorar mais, Joe- ela disse.
-Nunca, nunca mesmo eu me perdoei por ter feito a Caty chorar. Eu sabia que já tinha acontecido algumas vezes mas eu sempre tentava concertar de algum jeito e parecia funcionar. Só que... eu fiz isso de novo mesmo depois de prometer a ela que não faria.
-Você não tem culpa nessa história, Joe. Ela entendeu o que aconteceu, já passou o pior. Eu tentei melhorar as coisas pra ela e eu acho que consegui em parte. Ela concordou que viver algum relacionamento sério com você era muito pior, porque seria falso. Eu disse exatamente o que você me falou... que você faria qualquer coisa para não magoá-la, mesmo que pra isso tivesse que corresponder. Ta tudo bem, fica tranquilo.
-O problema ainda não acabou. Você livrou a minha barra mas como pretende contar tudo a ela? Você vai fazer isso, não vai?
-Eu só não sei o que a Caty faria se soubesse. Eu tenho medo. Ela ta muito mal, mal demais pra eu deixar pior.
-Ela vai descobrir- ele afirmou- A gente passou a manhã tentando achar um jeito de melhorar e olha o que aconteceu.
-Então é isso? Eu conto e... vejo a minha melhor amiga me odiar e chorar mais litros e litros até desidratar?
-Demi, aconteceu. Aconteceu e ninguém vai mudar isso. Pra que adiar mais? Só vai ser pior. Amanhã é o último dia. Ela vai acordar bem e a gente vai estragar tudo de novo?
-Eu, Joe. Não a gente- concertou se afastando e abraçando o próprio corpo- Eu vou estragar tudo- ela sussurrou sentindo seus olhos molhados.
-Eu tô junto com você nessa- ele garantiu com a voz firme depois de um tempo, abraçando-a por trás e beijando seu ombro com inocência.
***
-Alô?- ele atendeu, concentrado no caminho e com a outra mão no volante- Mãe, a Caty tá aí?- ele perguntou com indiferença.
-Sim, meu amor- Denise afirmou- Onde você e a Demi estão?
-No caminho- eu disse- Ela... tá bem?- questionou, um pouco curioso para saber se ela já havia contado a sua mãe.
-Bom, mais ou menos- disse- Parece meio triste, meio desanimada, mas acho que não é sério. Por quê?
-Não, nada- deu de ombros.
-Ok, estamos esperando vocês para servir o almoço- avisou- Beijo.
-Mãe?- chamou antes que ela desligasse- Faz um favor pra mim?- pediu- Não comenta com a Caty que eu e a Demi estamos namorando, tá? E avisa ao meu pai.
-Ela não sabe?- ele suspirou aliviado com a reação da mãe. Isso lhe dava toda a certeza de que eles não haviam comentado nada ainda.
-Não, e ela não pode saber, não por enquanto- disse nervoso- Por favor, mãe.
-Tudo bem, tudo bem- assentiu- Nos vemos daqui a pouco.
-Beijo, mãe, obrigada.
-Deus, eu tinha esquecido completamente desse detalhe- Demi encarava o menino com uma das mãos sobre o peito- Que susto, acho que o meu coração parou.
-Me esqueci também- ele disse- Por pouco. O que ela menos precisa agora é saber outro segredo por outra pessoa.

Joe ficava mais nervoso a cada quilômetro percorrido e Demi percebia isso, porque ela ficava nervosa junto com ele. Tinham motivos diferentes, mas no final dava no mesmo. Ele não sabia como falar com ela e muito menos o que falar. Seria de longe a conversa mais constrangedora e incômoda que ele já tivera na vida. Mas seria necessária. E Demi... ela pensava em maneiras de contar. Mas sabia que na hora tudo seria completamente diferente.
Continua...

Mais uma vez, fiz bem grandinho :))
Genteeeee ela ainda não descobriu tudo, mas... tadinha :/ E logo ela descobre...
Bom, não sei porquê mas ta complicado de escrever, mas calma, tô indo aos poucos e conseguindo ;)
Comentem, tudo bem?
Mil beijocas,
Brubs <3
Respostas aos comentários:
Capítulo 21
selinhos, divulgações e comentários